Mudanças atualizam critérios de idade, reduzem períodos de espera e ampliam medidas de segurança para doadores e pacientes.
Entraram em vigor nesta quarta-feira (30) as novas regras para doação de sangue no Brasil. As mudanças foram estabelecidas pela Portaria GM/MS nº 11.685/2026, do Ministério da Saúde, e atualizam os critérios de aptidão para doadores e os procedimentos relacionados à hemoterapia.
Doadores poderão continuar após os 70 anos
A faixa etária geral para doação continua sendo de 16 anos até 69 anos, 11 meses e 29 dias. Menores de 18 anos precisam apresentar autorização do responsável legal.
A principal novidade é que doadores voluntários regulares poderão continuar doando após os 70 anos, desde que estejam saudáveis, sejam considerados aptos na avaliação médica do serviço de hemoterapia e respeitem os intervalos e a frequência de doações estabelecidos para essa faixa etária.
Tatuagens e procedimentos estéticos
Também foram reduzidos os períodos de espera para alguns procedimentos.
Quem realizou tatuagem, maquiagem definitiva ou procedimentos estéticos invasivos, como botox, preenchimento e microagulhamento, poderá doar após sete dias, quando for possível avaliar a segurança sanitária do procedimento.
Quando não for possível garantir essa avaliação, o período de espera será de quatro meses.
No caso de piercing, também há mudanças. Quando estiver localizado na boca ou na região genital, a pessoa poderá se candidatar à doação quatro meses após a retirada do acessório.
Pessoas que tiveram câncer
A nova regulamentação também modifica os critérios para pessoas com histórico de câncer.
Em determinados casos, a doação poderá voltar a ser permitida cinco anos após o término do tratamento, desde que a pessoa permaneça em remissão e sem doença ativa.
Para pessoas com histórico de melanoma ou neoplasias do sistema hematopoiético, como leucemias e linfomas, permanece o impedimento definitivo.
Outros prazos também foram reduzidos
As novas regras diminuem de seis para quatro meses o período de espera após alguns procedimentos endoscópicos e laparoscopias.
O período de impedimento relacionado à tuberculose passa a ser de dois anos após a cura. Para quem passou por transfusão de sangue, o prazo também foi reduzido de 12 para quatro meses.
Teste para malária
Outra mudança importante está na segurança das transfusões. O Brasil passa a realizar obrigatoriamente o teste de malária em 100% dos exames de triagem de sangue.
O NAT Plus, tecnologia desenvolvida por Bio-Manguinhos/Fiocruz, que já identifica HIV e hepatites B e C, passa também a detectar o parasita causador da malária.
Com isso, o período de impedimento para pessoas que tiveram determinadas exposições em áreas de risco passa a ser de 30 dias, em situações previstas pela regulamentação.
Validade das plaquetas
A nova regulamentação também permite ampliar de cinco para até sete dias a validade do concentrado de plaquetas, desde que sejam cumpridos os controles de qualidade exigidos.
As plaquetas são utilizadas, entre outros casos, no atendimento de pacientes com câncer, pessoas submetidas à quimioterapia e pacientes com doenças hematológicas.
Quem pode doar?
Além dos critérios específicos, o Ministério da Saúde orienta que o candidato esteja em boas condições de saúde, pese pelo menos 50 quilos, tenha dormido pelo menos seis horas nas últimas 24 horas e esteja alimentado.
A pessoa deve apresentar documento oficial com foto, inclusive podendo utilizar documento digital.
A avaliação final é feita pelo serviço de hemoterapia durante a triagem clínica.
A orientação é procurar o hemocentro mais próximo para verificar os horários de atendimento e passar pela avaliação antes da doação.
📝 | Três Pontas Urgente / Por Rita Pinto
📷 Imagem: Reprodução
Fonte: Ministério da Saúde / Hemominas
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